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Blog de viniciuspiedade
 


 

         O QUE ESTOU LENDO

 

 

                                   Quando eu era moleque e via a pilha de livros que minha mãe lia ao mesmo tempo, eu ficava assustado. Não entendia como ela administrava tanta informação.

Junho, quase julho de 2008: Estou lendo no mínimo a mesma quantidade de livros que minha mãe lia e sei bem como consigo administrar tantas possibilidades!!! São mergulhos únicos. Simples assim!

E divido contigo o que leio agora, ou seja, quais são os meus livros de cabeceira do momento (e que faço tudo pra arrumar tempo pra devorá-los; seja burlando meus horários de trabalho - e eu que sou meu próprio chefe depois brigo comigo mesmo-; seja deixando-me no ônibus para além do ponto que tinha que descer; seja ficando mais tempo no vaso sanitário do que o necessário; seja jogando-me no sofá de casa ou na areia da praia única e exclusivamente com esse fim ou começo.

RUBEM FONSECA- CONTOS REUNIDOS- É puro deleite. Li toda obra de Rubem Fonseca e nesse momento releio o livro que reúne boa parte de sua obra. A parte mais substancial dela: os contos. Conheci Rubem Fonseca na época em que era office-boy e nada mais prazeroso pra mim na época do que olhar as mulheres gostosas pelas ruas da cidade e ler os livros de contos de Rubem Fonseca. Comecei com Feliz Ano Novo (favor não confundir com Feliz Ano Velho de Marcelo Rubens Paiva que é outra história que também me trouxe êxtases mas diferentes de Fonseca) que me arrebatou. Depois li O Cobrador. Aí meu chapa, não deu mais pra parar, Rubem Fonseca na veia: Romance Negro, Lúcia McCartney, A Coleira do Cão, Os Prisioneiros e todos os romances Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos, A Grande Arte, Bufo & Spallanzani, Agosto, O Selvagem da Ópera, Do Meio do Mundo Prostituto Só Amores Guardei ao meu Charuto...

E por aí vai... É engraçado, mas Rubem Fonseca não me soa profundo... Não fico transtornado quando o leio... Tenho um prazer intenso, mas não fico em transe. É diferente. É um prazer parecido com o de saborear um delicioso prato. Foi talvez na obra dele que descobri ao fundo o que era o prazer de ler. Se na escola me ensinaram a odiar os livros com suas provas em cima de Machado de Assis (assassinado anualmente por professores e métodos que não fazem nada pela literatura, ao contrário), com Rubem Fonseca, aprendi a sentir o que realmente aquilo fazia com minha mente. São prazeres e sabores particulares que cada livro e autor trazem. Lembro-me de ter lido boa parte da obra literária de Sartre em pouquíssimo tempo e isso me trouxe “Náuseas” fundamentais para meu tão presente Inconformismo.  Não por isso eu diria que Sartre foi mais importante do que Rubem Fonseca na minha vida. Aliás, essa cultura competitiva de sempre eleger o melhor ou o mais importante precisa ser mudada. Essa cultura do ranking... Essa competitividade imbecil que vai do nada ao nada.

 

Voltando aos livros de cabeceira: REVOLUÇÃO DO CINEMA NOVO DE GLAUBER ROCHA.  Me causa vertigens demais! O modo como Glauber fala desse movimento e o que fala. Fico até sem palavras de tanto que esse livro fala pra mim. O modo de pensar uma arte brasileira num contexto global. No macro e no micro. O livro percorre diferentes fases do Cinema Novo, do começo ao fim, o que dá pra sentir um pouco do que foi o momento mais importante do cinema brasileiro e mundial.

 

Leio também Diário de trabalho de Bertolt Brecht, o volume I, onde o genial dramaturgo e encenador alemão escreve sobre seus trabalhos numa fase terrível: de 1938 até 1941, época de Hitler. E eu transpiro e inspiro essa obra que me inspira e me faz transpirar.

 

Leio ESCULPIR O TEMPO obra do cineasta Tarkovski que me faz refletir sobre minha própria arte de maneira única. Tarkovski é um daqueles cineastas que te muda a vida. Ou o contrário: te faz se perguntar QUE PORRA QUE ESSE DIRETOR QUIS DIZER COM ISSO? É bem por aí. Os ritmos de seus filmes, a fotografia e as histórias causam uma repulsa intensa ou uma atração vital. E entender o modo como ele pensa sua arte, me influencia de maneira profunda. Quando li que, ao contrário do que muitos pensam, ele se preocupa muito com as percepções do público sobre seus filmes, fiquei em estado de choque. O modo como ele conta isso, me fez refletir sobre o que é popularizar uma obra tratando o público com dignidade e o que é emburrecer sua obra em nome de um entendimento medíocre do público. Claro que estou simplificando. O certo era eu fazer uma resenha sobre cada livro. Mas estou de passagem. Aportei em sampa por dois dias, mas volto a viajar amanhã pra participar de um festival de teatro. Um festival competitivo. Teatro não é campeonato. Já falei isso. Mas paradoxalmente, tenho curiosidade em saber como minha peça H.E.R.Ó.I.S.- CÁRCERE será recebida pelos jurados do festival. Talvez a cultura da disputa também percorra meu sangue. Mas quero lutar contra essa merda. Consumando o melhor com fim em si. O melhor de mim é a única coisa que posso dar. Mas dizer “o melhor de mim” não é focar uma auto-competição? Sei lá, estamos cercados!

 

Mas o livro que mais me causa ansiedades no momento, que me faz querer parar toda hora pra ler, mais que isso, investigá-lo, é NOTÍCIAS DO PLANALTO de Mário Sérgio Conti. Peguei esse livro emprestado essa semana (mas vou devolver, prometo - mesmo que desrespeitando a frase que diz que no mundo existem dois idiotas: os que emprestam livros e os que devolvem) e não consigo largá-lo. Cheguei ao cúmulo de sorrir ao ver que teria que enfrentar uma grande fila no banco. E ao ver a fila andando rápido cheguei a reclamar com as pessoas que estavam atrás de mim. Mas uma reclamação ao inverso: “que saco de fila rápida!”.

 

No livro, o autor fala sobre o comportamento da imprensa na eleição de Fernando Collor de Mello. Mais que isso. Investiga a ascensão e queda do Fernandinho. O modo como ele, que era Governador de Alagoas se articulou com a imprensa brasileira para se eleger. Como ele vendeu a idéia de CAÇADOR DE MARAJÁS e ultrapassou políticos que já tinham uma história e eram conhecidos do povo brasileiro, como Lula que era conhecido desde 80 pelas greves sindicais ou Brizola com toda história do seu exílio e do seu retorno. Além desses, desbancou Mário Covas, Paulo Maluf, Afif, Caiado, Freire, enfim políticos que já vinham mostrando a cara antes de 89.

Quando o autor faz uma abordagem sobre o comportamento de um meio de comunicação como a revista Veja, por exemplo, ele não fala só do período: faz uma genealogia da revista. Investiga. Fala de seu surgimento de forma rápida, mas profunda. Fala das diferenças da revista na época em que o diretor de redação era o genial Mino Carta, por exemplo. Como era a revista na época do excelente Elio Gáspari. E como era em 89 quando Collor chegou chegando. Essa revista que hoje é a pior merda impressa nesse país, já foi interessante um dia. Muito tempo atrás. Mas na época de Collor, ela já caminhava para esse lixo de hoje: A mesma revista que se orgulha de ter denunciado Collor através de Pedro Collor naquela famosa capa com a cara do panaca dizendo PEDRO COLLOR CONTA TUDO, deu uma capa pra ele que foi fundamental para seu aparecimento, numa época em que ele era conhecido apenas em Alagoas. Na capa intitulada O CAÇADOR DE MARAJÁS, aparecia Collor na frente de um quadro de Deodoro da Fonseca com a espada erguida.

O MODO COMO AS ORGANIZAÇÕES GLOBO INFLUENCIARAM NESSAS ELEIÇÕES APARECE COM UMA CLAREZA INCRÍVEL.

Todos os veículos importantes desse país são analisados de forma imparcial e interessante. Focando os seus personagens principais e suas carreiras jornalísticas.  É um livro não só pra jornalista, mas pra quem tem interesse em entender um pouco mais esse país que vivemos.

 

Preciso arrumar a mala. Se não falaria dos livros que estão na próxima leva... Como O Povo Brasileiro de Darcy Ribeiro que está pra ser rererelililido.

Mas já que nesse blog existe o item comentários, gostaria que você o usasse pra dividir comigo qual ou quais livros está devorando no momento.

 

SARAVÁ

 

vini 

 

 

 

 

 



Escrito por viniciuspiedade às 02h20
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